Guillaume Cale (m. 10 de Junho de 1358) foi o líder da revolta camponesa ocorrida em França em 1358 e conhecida como Jacquerie. Cale, ou Carle em algumas fontes, era um camponês da Picardia e pouco se sabe dos seus antecedentes. Em Maio de 1358 apareceu como líder carismático dos camponeses revoltosos, que procrou unir sob uma causa comum. Cale tentou organizar as hordas populares em batalhões para-militares e organizou uma hierarquia militar destinada a controlar minimamente os revoltosos. É também dele a iniciativa de adoptar o grito de guerra Montjoie et St. Denis, o grito tradicional do Rei de França, para salientar que a revolta era contra os nobres e não contra a casa real. Em efeitos práticos, Cale pouco conseguiu fazer para impor a sua autoridade. Depois da batalha de Meaux, a 9 de Junho, onde milhares de camponeses foram mortos ao tentar tomar o castelo da cidade, a nobreza começou um contra-ataque organizado. Sob a ameaça do exército de Carlos II de Navarra, Cale procurou retirar para Paris, onde tinha o apoio do Preboste Etienne Marcel. Os camponeses recusaram obedecer-lhe e dada a iminência de batalha, Cale ordenou a formação de três batalhões. A decisão atempada de Cale conseguiu impressionar o Rei de Navarra, que hesitou em atacar a linha fortemente defensiva. Em vez disso, Carlos II procurou iniciar conversações e convidou Cale para negociar. O líder popular aceitou, confiando na palavra de cavaleiro do rei. O problema é que, no ideal de cavalaria, a honra era considerada exclusiva da nobreza e os seus códigos não aplicáveis a meros camponeses. Por isso, Carlos II sentiu-se à vontade para quebrar a palavra e aprisionou Cale. Sem o líder, o exército camponês desfez-se e foi massacrado. Cale foi executado no mesmo dia, depois de ter sido coroado Rei dos Camponeses.